Estação das Estampas: primavera aguça a criatividade dos designers e colore a moda

A primavera é, definitivamente, a estação mais estampada do ano. Um período em que a vivacidade da vegetação e a explosão colorida das flores são transpostas para as peças de roupa. Nas semanas de moda europeias, essa relação ficou clara nos desfiles de Gucci, Dolce & Gabbana e Versace, para citar algumas grifes.

No entanto, só a inspiração da época florida não é suficiente para criar todos os desenhos expostos nas passarelas e vitrines. Além da criatividade, é preciso técnica e entendimento das tecnologias disponíveis para o desenvolvimento dos tecidos.

A designer Amanda Aguiar, professora do curso de Estamparia Digital da Escola de Moda Denise Aguiar, destaca que, mesmo com o tema da coleção determinado, definir as peças que serão estampadas antes de produzir o tecido é fundamental para um bom resultado.

“É necessário pensar nos modelos que fará para definir o tamanho e a proporção dos elementos que irão compor a estampa, sejam eles plantas, flores ou formas geométricas. Além disso, fazer uma simulação digital, antes da produção”, observa.

Inspirações

Para montar as padronagens, vale tudo. De buscar inspiração na natureza, arquitetura ou no cinema, a utilizar uma foto que tenha tirado durante uma viagem de férias.

Os períodos de descanso de Tetê Vasconcelos, diretora de criação das marcas mineiras Cila e da TT Beachwear, são as principais fontes para o trabalho que realiza.

“Faço tudo muito em cima de fotos de viagem, por meio de um alinhavo da fotografia com outros elementos, vou dando coerência para coleção”, revela.

Amanda Aguiar explica que tudo isso fará parte do mood board, que nada mais é que um painel de inspirações “ao qual você irá recorrer sempre durante o desenvolvimento de uma coleção”, coloca a designer.

Impressão

O tipo de tecido que será estampado também é determinante para o resultado final de uma peça. As tecnologias mais acessíveis trabalham com tecidos que tenham o mínimo de 70 por cento de poliéster, ou seja, fibras mais sintéticas. Cetim, crepe, musseline, neoprene e chiffon são alguns dos exemplos.

Apesar dessa limitação, Felipe Resende, diretor da BHZ Design, empresa especialista em estamparia localizada no Jardim Canadá, em Nova Lima, na Grande BH, afirma que é possível imprimir em outros tecidos. “As fibras que aceitam melhor a tinta são as sintéticas, mas existem técnicas que permitem tratar outras fibras para que aceitem a impressão. Porém, isso onera a produção”, explica o empresário.

Padronagens exclusivas são diferencial para marcas consolidarem estilo próprio

Para a Primavera/Verão 2018, grifes de todo o mundo apostam em estampas marcantes e não só naquele floral de ar etéreo e fundo claro, bem primaveril.

Se quiser investir em padronagens de olho nas tendências, pense em animal print – estampa muito mais comum no inverno, mas que vem forte para as estações mais quentes e alegres do ano –, florais grandes, motivos geométricos e muitas, muitas cores misturadas.

O mix de cores e também de desenhos em estampas exclusivas são o carro-chefe da mineira Romaria. Conforme a proprietária e coordenadora de estilo da marca, Rosângela Aguiar, para o verão são desenvolvidas sete padronagens, enquanto que, no inverno, cinco.

“Invisto na exclusividade, pois é isto que as pessoas procuram. Algo que seja a cara delas e que as deixe sempre com um look diferente”, diz Rosângela. Segundo ela, as estampas da Romaria “conversam” entre si, possibilitando essa variedade de visuais, mesmo com peças que não são lisas.

De acordo com Tetê Vasconcelos, diretora de criação da Cila e da TT Beachwear, atualmente, existe uma gama maior de tecnologias disponíveis para desenvolver tecidos exclusivos, tornando as peças únicas. “E isso aqui no Brasil, todas as minhas estampas são criadas e produzidas no país, por estamparia digital”, explica.

Assinatura

A forma de trabalho da Romaria é uma crescente tendência entre as marcas de Minas Gerais, destaca a designer de estampas Amanda Aguiar.

“Isso traz um diferencial. Além disso, é muito comum hoje as marcas assinarem as estampas, colocando o logotipo em meio aos elementos, de forma discreta”, explica.